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'Não vejo extremismo, vejo alguém que incomoda muito', diz Felipe Moura sobre Bolsonaro

por Jovem Pan, . - Atualizado em

Sobre o segundo turno, comentarista

Sobre o segundo turno, comentarista "não está surpreso"

Fonte: Jovem Pan

Os analistas Felipe Moura Brasil, Joel Pinheiro da Fonseca e Arthur Rollo discutiram o resultado das eleições no Pânico desta segunda-feira (8). O principal assunto foi o segundo turno da disputa pela presidência da República, entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT).

“Não estou nada surpreso”, disse Felipe Moura Brasil sobre o resultado das urnas. “Tem muita gente na imprensa surpresa, como estava com a eleição do Trump”, continuou o jornalista, lembrando de quando Donald Trump foi eleito presidente dos Estados Unidos, em 2016. “O Bolsonaro encarnou de fato o antipetismo. Ao contrário do Alckmin, o Bolsonaro surfou na onda do impeachment [da ex-presidente Dilma Rousseff]”, afirmou.

Agora, a expectativa é para ver quem os candidatos derrotados no primeiro turno irão apoiar no segundo turno. “A Katia Abreu está em campanha aberta contra o Bolsonaro, e não tem nada que una mais as pessoas em campanhas políticas do que um inimigo em comum”, disse Joel Pinheiro da Fonseca sobre a vice na chapa de Ciro Gomes (PDT). “Mas o Bolsonaro está na boca do gol”, admitiu o economista.

No primeiro turno, Jair Bolsonaro teve 46% dos votos válidos, o que o credencia como favorito à eleição no segundo turno, em 28 de outubro, mesmo com uma forte campanha contra o candidato, que é taxado de extremista e anti-democrático. “Não vejo extremismo, vejo alguém de direita que incomoda muito”, disse Felipe Moura Brasil. “O Lula e o PT tiveram aliados que cometeram atos extremistas, o Bolsonaro nunca teve ninguém perto que fez isso”, continuou.

Mas, no geral, o que mais chamou a atenção na votação deste domingo (7) foi a vitória de candidatos alinhados à direita em quase todo o país. “A tendência está muito clara”, destacou Joel. “Muita gente fala em onda conservadora, mas essas posições estão presentes há muito tempo no perfil do brasileiro e esse eleitorado carecia de candidatos”, complementou Felipe Moura.

Outra tendência foi a renovação política e a rejeição de velhos nomes que buscam renovar seus mandatos, como Romero Jucá, Eunicio Oliveira e Edison Lobão, todos do MDB. “Renovou muita coisa, mas não quer dizer que o novo é melhor que o velho”, alertou Joel.

Quem também ficou de fora foi Dilma Rousseff (PT), que buscava uma vaga no Senado por Minas Gerais. “Foi divertido a Dilma ficar em quarto lugar”, disse Felipe Moura Brasil. “O Lula sabe há muito tempo que a Dilma é um poste bastante complicado”, revelou o jornalista. Por outro lado, Aécio Neves (PSDB) conseguiu se eleger deputado federal pelo mesmo estado. “O Aécio teve a esperteza de se candidatar à Câmara dos Deputados. Foi atrás do foro [privilegiado], explicou o comentarista.

Pesquisas e fake news

Uma boa parte dos resultados surpreendeu muita gente, principalmente em estados como Minas Gerais e Rio de Janeiro, onde as pesquisas de intenção de voto não capturaram o movimento de crescimento dos candidatos que acabaram sendo os mais votados para o governo estadual, Romeu Zema (Novo) e Wilson Witzel (PSC), respectivamente. “Com esses métodos tradicionais, as pesquisas ainda não conseguiram mapear as redes sociais”, afirmou o advogado Arthur Rollo sobre os resultados discrepantes. “Aconteceu algum problema nas pesquisas estaduais”, concordou Joel.

Outro tópico que gerou muita discussão durante a votação foi a disseminação de fake news. “O TSE sentiu na própria pele o impacto da divulgação de fake news”, disse Rollo, lembrando da quantidade de informações falsas que foram difundidas neste domingo em relação a fraudes nas urnas. “Até quem trabalha com eleição ficou preocupado”, disse.

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